segunda-feira, 1 de junho de 2009

A importância do Grêmio nas Escolas


O homem tem a capacidade de, através de sua experiência, refletir e projetar uma idéia para pô-la em prática. Esse processo é o trabalho, ação humana a ser aplicada por um sujeito sobre um objeto. O homem é sujeito no trabalho que desenvolve em seu meio, para produzir as matérias de que necessita para a sua sobrevivência. Porém, através da comunicação, ele tem a capacidade de se organizar em sociedade para tornar mais eficiente seu trabalho sobre o meio. Assim nós temos o trabalho individual e o trabalho social. Neste, a sociedade como um todo vai agir sobre o meio, produzindo as riquezas que depois serão distribuídas ente os indivíduos, para a sua sobrevivência. Porém, a organização dessa sociedade só vai ser possível através de uma estrutura política, econômica, e de uma cultura coerente entre si.

No trabalho social sobre o meio, as experiências e conhecimentos obtidos através delas são transmitidos de geração a geração através do acúmulo material desse conhecimento e da educação. A reflexão e projeção de idéias a serem postas em prática pela sociedade são produtos de relações humanas. Relações de forças político-ideológicas entre indivíduos e grupos da sociedade dentro de uma estrutura política. Assim, as idéias e projeções mais fortes serão as que a sociedade colocará em prática sobre o meio e sobre si mesma no seu desenvolvimento.

Com o tempo e com o acúmulo do conhecimento, a sociedade vai aperfeiçoando o seu trabalho sobre o meio, o que resulta necessariamente no aperfeiçoamento de sua organização social, política e econômica. Aperfeiçoamento que se dará no resultado do conflito político, ideológico e cultural, e que relacionado ao trabalho sobre o meio produzirá novos conhecimentos.

A nossa sociedade se caracteriza pela divisão em classes sociais, relacionadas à distribuição desigual das riquezas produzidas. Nela, os conservadores procuram, num sentido amplo, evitar ao máximo o desenvolvimento da sociedade, já que são os que mais se beneficiam das atuais relações econômicas. Os progressistas, geralmente provindos das classes menos privilegiadas, trabalham pelo desenvolvimento da sociedade no sentido de torná-la mais igualitária. Porém, é importante lembrar o fator cultural dessa relação. Tanto os conservadores como os progressistas têm culturas que justificam as suas ideologias e práticas, baseadas no sentido de vida coletivo e individual que eles têm. E esse é o fator que possibilita a existência de progressistas e conservadores em classes sociais contraditórias à origem de suas ideologias.

A alienação é o departamento da cultura dessa sociedade injusta que possibilita a má distribuição das riquezas. A grande maioria das classes menos privilegiadas não têm acesso à compreensão de suas realidades cultural e social. Preocupados, assim, em apenas sobreviver e ser felizes em suas realidades materiais, eles se tornam objetos da sociedade, marginalizados das relações políticas e ideológicas que a direcionam.

Em nossa sociedade, nós podemos ver a alienação por toda a parte. Numa indústria, por exemplo, o operário trabalha em um setor especializado, sem nunca tomar conhecimento do projeto inicial da produção. Assim ele não se reconhece no produto final, e passa a ser apenas mais um objeto nessa produção. Sua única preocupação é a de receber o salário no final do mês, como se o patrão estivesse fazendo um favor ao tê-lo como empregado.

A própria sociedade, através das minorias privilegiadas, projeta a vida da maioria nos indivíduos. Um exemplo é a moda, que cria modelos de valores estéticos e éticos, que com o consumismo são absorvidos pela grande maioria dos indivíduos. Eles se tornam culturalmente marginalizados do processo de reflexão e projeção social que direciona a sociedade, alienados do fato de que eles também podem influir nela.

A educação, neste contexto, tem duas finalidades. Uma, exercida por uma pequena parte das escolas e destinada às classes dominantes, é a de formar sujeitos que herdarão o poder. Elas dão ao aluno a compreensão sobre a realidade política e social, o que possibilita que ele se torne sujeito nela. Porém, não dá a compreensão sobre a sua realidade cultural, o que o mantém escravo do papel que ele deve ter na sociedade.

A outra finalidade, surgida na industrialização e que resultou no surgimento das escolas públicas destinadas às classes baixas, é a de transmitir conhecimentos suficientes para que cada indivíduo possa exercer a sua função especializada na sociedade. Porém, sem demonstrar as relações que existem entre os objetos ensinados, esses indivíduos ficam alienados de sua realidade social, política e cultural, tornando-se trabalhadores objetos da exploração política e econômica, e da manipulação social e cultural.

Uma escola, que se compromete realmente em educar seus alunos, deve ter como objetivo dar a eles a compreensão sobre sua realidade social, política e cultural, para que eles possam desempenhar um papel digno de um ser humano. Para que o aluno realmente compreenda o que lhe foi ensinado, além da educação teórica analítica, ele deve testar na prática as teorias que lhe foram ensinadas, que assim, deixam de ser mitos e passam a ser parte da realidade individual de cada aluno.

Esse processo de aprendizagem depende também de que os alunos tenham uma postura consciente e crítica perante o objeto estudado, para que eles procurem analisar e testar o que lhes foi ensinado. Que eles, além de seus educadores, sejam também sujeitos da sua educação. Testando não só a ciência mas também a filosofia e a cultura da sociedade que os educa, podendo aceitar ou não as "verdades" que aprendem. Compreendendo e ganhando o poder de participar como agentes no processo que direciona a sociedade.

O grêmio estudantil tem uma importância muito grande para o sucesso pedagógico de uma escola que pretende realmente educar. Isso ocorre porque ele é uma micro sociedade, formada das relações entre alunos, que se organizam para defender os seus interesses. O grêmio tem a sua estrutura política, a cultura que o justifica, o acúmulo e a passagem de conhecimentos para os novos indivíduos, ou seja, educação dos velhos para os novos alunos. Porém, ele é de compreensão muito mais fácil e simples, de forma que eles aprendem a ter rapidamente uma postura política dentro do grêmio, primeiro passo para se tornar sujeito na sociedade.

Por outro lado, já que o grêmio é uma sociedade de alunos que procura contestar construtivamente a sua escola e o seu mundo, ele faz despertar nos alunos a consciência crítica, inicialmente perante as outras sociedades que o englobam, como a escola, o país e, depois, perante a sua própria educação, a sua cultura e sua vida. Lembrando a importância de tal postura por parte dos alunos, para que a educação de sua escola seja a melhor possível.

Seduzido pela sua nova visão de vida, a de ser sujeito de sua própria história e não objeto dela, o seu próprio interesse e prazer pelo ato de estudar aumenta, pois nesse novo sentido de vida, o de procurar melhorar as coisas, ele percebe rapidamente que tudo o que se quer mudar tem que se conhecer e compreender. Assim, ele passa a querer compreender as sociedades, a história, a geografia, a física, a filosofia, a psicologia, o ser e o não ser.

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